Trabalhei em uma grande empresa por sete meses. Isso mesmo,
só sete meses. Cheguei com a empolgação de todo bom novato – querendo mudar o
mundo, transformar vidas, mostrar serviço, ser promovida em seis meses. Sem
entrar no mérito dos porquês, aos poucos vi que muito daquele contexto não
funcionava pra mim – desde percepções organizacionais até a minha rotina
CLTista de 44 horas semanais.
Entendi que o salário não compensava mais a distância de
40km por trecho e nem o tempo dispensado para cumpri-los diariamente. Entendi, em um
processo profundo e ansioso, que nada daquilo – da maneira como tínhamos que
fazer - fazia sentido para mim e para o meu projeto profissional. Entendi que
eu só estava sustentando estar ali pelo dinheiro e que não valia mais a pena
abdicar de valores e projetos profissionais mais fortes, em prol de uma tarefa
que se mostrava cada vez mais enfadonha.
Decidi empreender em algo que já tem em peso no mercado.
Louca, claro, já que estamos passando por um processo pós-crise que ainda deixa
rastros de incerteza muito grandes. Mais louca ainda porque busquei o emprego
fixo depois de tentativas quase frustradas de um empreendedorismo sem muito
conhecimento e suporte. Mas no sofrido processo de reflexão e decisão,
compreendi profundamente que as 44 horas semanais da minha vida dedicadas a
algo que não me pertencia era um tempo sem volta.
E foi aí que, munida de um medo imenso, pedi desligamento. Este
foi o período em que mais me chamaram de louca, mas com palavras bonitas
travestidas de preocupação. Como era possível que eu, recém-casada, com o
marido ganhando um salário que não supria a falta do meu, sem muita reserva financeira,
pedisse desligamento de uma empresa de grandessíssimo porte, para abrir a minha
própria empresa? Não tem como ser mais louca!
Pois fui. Engoli meu medo a seco, abracei uma amiga-sócia e
montamos um espaço ao qual chamamos de empresa. Alocamos um marceneiro e
fizemos armários. Compramos cadeiras, mesas, instalamos linha telefônica e
internet. A cada nova despesa, uma contorção de pânico – “como vamos
pagar isso?”, eu perguntava. E ela, a sócia, sempre sábia e positiva,
respondia: “Tenha fé. Dinheiro há.”; "Ê bicha corajosa!", eu pensava.
Na prática, não havia. Pelo menos nos moldes de um
empreendedorismo seguro e planejado, não havia. Conseguíamos pagar as despesas
aos trancos e barrancos. Investimos em marca, divulgação, networking e assim seguimos.
Acreditando, mais do que tudo, na nossa capacidade de fazer melhor e diferente.
Lucro? Ainda não, por enquanto seguimos pagando despesas. Arrependimento?
Nenhum, estou onde e com quem deveria estar. Medo? Tenho, muito. Mas o que me
conforta é que, depois de tudo isso, hoje eu sei que coragem eu tenho bem mais.
ALERTA SPOILER: um dia desses eu volto com excelentes updates!
ALERTA SPOILER: um dia desses eu volto com excelentes updates!
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